Para encurtar caminho, chamo-lhe IDT. Representa o acrónimo: Ignorância Dogmática Telecomandada. É uma doença desta nova era da informatização e globalização. É um tipo de ignorância que também abrange a classe social com bons recursos financeiros e que tem acesso às mais recentes fontes de informação. É uma estupidez, só para acabar este primeiro parágrafo.
A IDT é a responsável pelos mais variados tipos de discriminação que hoje em dia ainda temos de aturar: racial, orientação sexual, sexo, idade… Serão estes os tipos que considero mais marcantes.
Infelizmente, o conceito instituído de inteligência na nossa sociedade, corresponde aquela pessoa que tirou um curso superior com distinção. Então se tira um mestrado ou doutoramento, só não é considerado um deus, porque ainda não calhou. Mas já está em estudo… No entanto, a maior parte das pessoas esquece uma variável fundamental para o atingir um nível de inteligência lúcida: bom senso. É esta pequena característica que nos permite pensar pela nossa própria massa cinzenta, construindo as nossas próprias ideias, opiniões e acções.
Sem esse bom senso, as pessoas acabam por se tornar apenas numas marionetas sociais, sem qualquer autonomia no desenvolvimento e aplicação da sua identidade. Pensam e agem de uma certa maneira, apenas porque dogmaticamente seguem as correntes sociais e religiosas que lhe foram injectadas.
Reflecte, também, um comodismo emocional enorme. De facto, é mais fácil por os outros a pensar por nós nas questões sensíveis da nossa vida. Quer dizer, sensíveis mais ou menos. Pegando no exemplo:
- “Então, o que gostas de vestir?”
- “Ainda não sei. Não li as últimas revistas da moda… Depois de ler, já te digo o que é que eu gosto.”
Este é um caso superficial de IDT. Depois temos os mais sensíveis e que mexem com o factor fulcral da felicidade de cada pessoa: liberdade emocional:
- “Então, o que achas da homossexualidade?”
- “Ai que nojo… morriam todos!!!”
- “Mas porquê?”
- “Porquê? É deus que diz. Ele é que sabe…”
Um caso infeliz de IDT agudo…
Ainda não me pronunciei sobre o T do IDT: telecomandado. Inclui este termo pois existe um fenómeno extraordinário e simplesmente delicioso de observar relacionado com a mudança. Sim, os IDT também estão sujeitos à mudança, mas num contexto e condições especiais. Nos vários tipos de IDT, existem sempre os mestres. Os pastores de todas as ovelhinhas, como eu os gosto de denominar. Se algum deles acorda um dia de manhã com os pés de fora, e se lembra de fazer X, todas as ovelhas o seguem. É um processo de copy paste, que nunca falha. Posso novamente dar um exemplo superficial: os betinhos. Se o betinho pastor acha que um dia o sapatinho de vela tem de ter uma sola branca, os betinhos ovelhas seguem-no religiosamente. Aliás, vou colocar em cima da mesa, um suponhamos. Hipoteticamente se o betinho pastor se lembrasse de andar vestido com camisas e calções às florzinhas, os betinhos também o iriam seguir, novamente religiosamente. Seria algo completamente ridículo. Mas pronto, é uma hipótese radical que me lembrei agora, caricaturando a situação. Ups… afinal houve um betinho pastor que se lembrou disso… E flores de todas as cores para todos… Ai mas tão lindos e ricos que eles ficam… E aquela das camisas com os ursinhos nas costas? De chorar a rir e por mais. Sem dúvida que a raça dos betinhos tem sido um caso de estudo extremamente enriquecedor.
Mas o real problema não se manifesta nestes pequenos actos superficiais. Quer dizer, é um começo. Se para coisas simples as pessoas não são autónomas, muito menos para as mais complexas. Mas o que realmente me preocupa são aqueles actos e ideais que provocam discriminações. Uma coisa já conclui: o nível de discriminação de uma pessoa perante outras é directamente proporcional à sua falta de identidade.
A classe social que por obrigação deveria ter mais autonomia cerebral, é uma incontrolável possuidora abafante de IDT: classe política. Têm todos um tipo de postura política que, desde que me lembro de os ver, é sempre a mesma. Será que vou morrer sem ouvir a palavra cooperação em vez de luta? Estratégia em vez de tudo-à-pressa? Responsabilidade em vez de propaganda? Resultados em vez de votos? Não estou nada convicto…
Do lado direito da nossa assembleia, temos ainda os artistas que não deixam ficar as suas orientações dogmáticas religiosas em casa. O nosso governo não deveria ser laico? Não era suposto as pessoas serem livres emocionalmente, optando por pelo seu livre estilo de vida desde que não interfiram com a liberdade dos outros? Claro que se eu escolher como estilo de vida matar outras pessoas, ai estou a interferir na vida de alguém. Agora um homossexual que escolheu viver com outra pessoa, comprou casa, viveu anos com ela, ainda por cima sempre reprimida por uma sociedade hipócrita, e por infelicidade o(a) companheiro(a) morre, tem 1001 problemas por causa das heranças… É só um exemplo entre tantos outros. Uns quantos energúmenos de IDT, acham-se no direito de dizer como os outros têm de viver emocionalmente, contribuindo para uma sociedade completamente demente.
Ainda há pouco tempo, uma responsável governativa sem responsabilidade, veio passear, orgulhosamente e de nariz empinado, o seu discurso católico para a praça pública. Novamente condenando os homossexuais. Novamente querendo ela dizer às pessoas o que devem ou não fazer com o seu casamento. Para essa mulherzinha com o nome de Manuela Ferreira Leite, a família apenas serve para a procriação. Até me dá um arrepio ao ouvir coisas destas. E repare-se, por exemplo, no horror desta frase dita por essa criatura sobre um casamento homossexual:
- "Chame-lhe o que quiser, não lhe chame é o mesmo nome. Uma coisa é o casamento, outra é outra coisa qualquer”.
É triste. Uma coisa é ter uma opinião. Outra é ter poder e influência para obrigar os outros a seguirem essa opinião, que DEVE e TEM de ser livre. Que tenham as convicções que quiserem, mas não as levem para o trabalho, prejudicando a vida de tantas pessoas, e contribuindo para uma sociedade retrógrada, limitada e não autónoma. Já que essa Leite defende a autonomia financeira dos jovens, afirmando que não precisam de subsídios pois todos têm de ter nascer com ideias para novas empresas, porque é que também não luta por uma autonomia ideológica. Ah, já me esquecia que a nível psicológico não pode ser, pois convém aos pastores controlarem as cabecinhas dos seus rebanhos.
Ai está o segredo de qualquer IDT: conseguir fazer com que um grupo de pessoas faça aquilo que se quer sem perguntarem porquê. Total submissão é igual a total controlo, que é igual a uma sociedade limitada, com letargia emocional e impregnada de todo o tipo de discriminações.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
sábado, 28 de junho de 2008
... mastigam as pastilhas de boca aberta?
Existem comportamentos sociais muito curiosos, pois são transversais. Ou seja, são completamente independentes do estatuto social e económico, raça, idade, and so on... and so on. O processo de mastigação de um derivado do petróleo com corantes, conservantes e açúcar, é um deles.
Analisando, em primeiro lugar, a questão da idade. Até aos dois... vá, três anos, dou um desconto. Mas só à criança. Não aos pais, pois começarem logo a poluir o(a) miúdo(a) com pastilhas nessa tenra idade... digamos que não é bom sinal. Voltando à criança: esta ainda está a aprender a mastigar, apesar de ser um acto inato e reflexo. Mau controlo dos maxilares, a vontade de querer falar ao mesmo tempo... bem, quiçá mais meia dúzia de argumentos para desculpar este pequeno grupo de indivíduos.
A partir dos três anos... Bem, não encontro razões que justifiquem tal atitude. Pelo menos, que façam sentido. Mas tenho pensado no assunto, podendo surgir algumas explicações plausíveis.
Uma delas, já que está na ordem do dia o aumento desenfreado do preço dos combustíveis, poderá estar relacionada com uma espécie de demonstração de poder por parte de quem a masca. Ora acompanhem o pensamento de tal criatura:
- "Eu sou tão poderoso que até mastigo petróleo!..."
- "Aquilo que tu gastas em gasoile numa viagem de automóvel em direcção ao teu emprego, como eu em três tempos!..."
- "Sou tão rico, que até como petróleo... e até o defeco!..."
E pronto, o deixar a boca aberta, é para que toda a gente, toda a gente mesmo, se aperceba bem do real poder que esta pessoa detém.
Estou sempre preocupado com a saúde das pessoas. Das que convivem comigo, e até do resto. Sou muito bonzinho. Pelo que também me lembrei: será que têm problemas em respirar pelo nariz, tendo a necessidade de se servirem da boca como orifício para inspirar e expirar? No entanto, quando não estão a comer o famigerado alimento, estão de boca bem fechada. Pelo que o meu argumento caiu por terra. Ou então não, caso respirem pelo mesmo orifício que defequem. Se calhar é isso... Bem, parando com a mer***, e seguindo para próxima explicação.
Há muito que se estudam formas consideradas não convencionais de alimentação, pois a fome mundial ameaça atingir níveis verdadeiramente aterradores. Uma dessas formas, será criar uma farinha à base de moscas. Estas seriam procriadas em gigantescos edifícios, sendo depois cozinhada uma farinha a partir das mesmas, após a sua morte. Esta farinha, tem mais 30% de valor nutricional que as actuais farinhas convencionais. Atenção, o que estou a dizer é verdade. Pelo que tive outra lembrança: será que as pessoas, ao mastigarem as pastilhas de boca aberta, não estarão à espera que lhes entre um moscardo, daqueles grandes e verdes florescente, pela boca a dentro, começando já a habituarem-se ao futuro cada vez mais presente? Ou será mesmo pelo gostinho extra a excremento depois do moscardo ter pousado na mer***?! Fica a dúvida…
Mas aqueles que me dão mais gozo, são os que colocam uma postura muito segura e jubilante (acho que esta palavra não existe… mas passa a existir) durante a degustação da chiclete. Aquele sorriso de boca torta... aquele barulhinho sinfónico da saliva a ser apertada entre a pastilha e os dentes... e o temível pensamento:
- "Eu sou muita bom(a)!..."
- "Olha-me pró meu estilo!..."
- "Curte-me lá pá!..."
Esses sim, dão-me gozo, mas metem-me medo ao mesmo tempo. É que eles acham mesmo que estão a fazer algo que lhes coloca a auto-estima em níveis tão elevados, que até parece que ganharam o euro milhões.
E quem anda a desabrochar a boca enquanto manduca pastilhas? Toda a gente. Homem das obras? Sim... Empresário de sucesso? Sim... Aluno que agride professores? Sim... Professores agredidos? Sim... Ladrões? Sim... Polícias? Sim... Francisco Louça? Sim… Paulo Portas? Sim…
Mas ao menos, pessoalmente, posso responder com orgulho: EU NÃO! Quer dizer, mas eu também nem se quer como pastilhas :P.
P.S.: Este texto é dedicado às pastilhas Gorila. Por ventura, possuía o único modelo onde é possível desculpar estar de boca aberta: SUPER GORILA. Quem já as comeu, sabe do que estou a falar :).
domingo, 15 de junho de 2008
... utilizam o chuveiro dos deficientes?
O ginásio é um local onde facilmente praticamos desporto. Com uma vida tão sedentária, acaba por ajudar a equilibrar o nosso corpo e mente. Quer dizer... a mente a alguns nem por isso.Como em todos os locais onde existe um considerável número de pessoas, surgem sempre alguns comportamentos dignos de serem não só vistos, mas também interpretados.
Um deles, é a invasão do chuveiro reservado aos deficientes, supostamente por pessoas consideradas normais. A primeira questão que surge é precisamente: será que num determinado momento, é o único disponível? A resposta é não, acrescentando o facto de que existem sempre imensos livres.
Será um fetish reprimido de se poderem sentir deficientes? Será que enquanto estão a esfregar o surro, imaginam:
- "Quem me dera não ter uma perna..."
- "Se me aparecer o génio da lamparina, o meu primeiro desejo seria tornar-me tetraplégico..."
Ou então, ainda mais estranho, não será o facto de eles se quererem sentir deficientes, mas terem vontade de transparecer aos restantes companheiros de balneário que são deficientes:
- "Que bom pensarem que sou um coitadinho..."
- "Tenham pena de mim; sou um inapto..."
- "Preciso de carinhos; sou deficiente..."
Pode ainda ser uma questão financeira. Como sabem, a percentagem de desconto na tabela do IRS, privilegia (e muito bem) os deficientes, sendo mais baixa. Por ventura, essas pessoas meteram uma cunha algures, e são deficientes perante o estado. Depois na sua vida real, têm também de parecer. Sempre se disse que: "à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta".
Poderão existir outras explicações. Estou a lembrar-me do facto de o chuveiro ser o primeiro. Será que as pessoas estão tão cansadas, que não têm força para irem até aos chuveiros seguintes? Realmente devem estar tão esgotados... especialmente aqueles que ficam cerca de quatro a cinco horas em frente ao espelho, de pé, a procurem borbulhas pelo corpo para espremerem, e/ou a despentearem o cabelo.
Será ainda um problema claustrofobia? De facto, o chuveiro para os deficientes é maior. Não muito... mas se calhar o suficiente para alguém não morrer asfixiado.
Pelo sim, pelo não, essas pessoas estão na minha lista de seres humanos a evitar. Ou então, estou para aqui a pensar que são pessoas perigosas, e na volta até têm boas intenções... ou até pode ser uma doença que os obrigue a participar nas sessões dos FDA: Fingidores de Deficientes Anónimos:
- "Boa noite. Sou o José António e há 4 dias, 3 horas, e 6 minutos que não tento parecer um deficiente..."
O meu voto de coragem... Não desistam...
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